O Salvador da PátriaNão. Não se trata da conhecida novela de Lauro César Muniz, recordada, entre nós, pelo protagonista Sassá Mutema do magnífico Lima Duarte. É, antes de mais, uma tentativa de rotular o novo director de programas da SIC, Nuno Santos. Ano novo, vida nova. Em Carnaxide, 2008 começou com a despedida de Francisco Penim (que muito prometeu e pouco cumpriu) e a chegada daquele que, junto com Almerindo Marques, infundiu um novo sopro de vida à RTP e à famigerada expressão "serviço público". Com ele, o novo responsável trouxe duas "armas" que deram cartas no canal público: os
Gato Fedorento (em momento de apogeu) e Daniel Oliveira, jovem profissional dinâmico e com provas dadas em formatos como
Só Visto e
Top Mais, programas aos quais soube conferir o tom certo numa grelha de um canal generalista do Estado.
Relegada para a terceira posição, à outrora líder não restou outra opção que não lançar mãos-à-obra e, para já, ultrapassar o obstáculo RTP (sim, porque a TVI é outra "história"). Trata-se da mesma RTP que Nuno Santos conseguiu galvanizar, reestruturando-a e tornando-a competitiva. No fundo, assistimos à luta de um homem consigo próprio. Passadas as primeiras semanas, os efeitos já se fazem sentir e para melhor. No período de 8 a 21 de Janeiro, a SIC conseguiu uma subida global de 0,9% (24,7 para 25,6%), em termos semanais. Continuou a liderar as manhãs com o programa
Fátima, subiu nas tardes graças à reposição da telenovela
Terra Nostra (24,4 para 25,1%), aproximando-se da concorrência e no acesso ao
prime-time, retirou da grelha o flop
A Ganhar é que a Gente se Entende, que não chegava aos 20% de share, e substituiu-o pela novela
Sete Pecados. Em duas semanas passou de 22,6 para 23,5%. Chegado o
prime-time, horário de capital importância, apostou em produtos-garantia de audiência: humor popular (
Malucos do Riso e
Camilo em Sarilhos) e telenovelas brasileiras (
Desejo Proibido e
Duas Caras) . Embora longe de fazer mossa à líder TVI, registou-se uma subida de 0,5% para os 25,2 de share. Pode parecer pouco, mas se se pensar que uma estratégia eficaz de programação assenta numa boa articulação de horários, verifica-se a opção de aumentar a duração dos episódios de
Duas Caras (só hoje foi cerca de uma hora e meia), permite à SIC entrar melhor na faixa horária da madrugada, onde a estação de Queluz (TVI) liderava há semanas. Aqui, o canal de Balsemão registou a maior subida. No período em consideração neste texto foram, nada mais nada menos, que 4,6%, tendo conquistado a liderança com a marca de 28,7%. Já aqui foi mencionado um dos formatos sacrificados pela nova direcção de programas. O outro, embora se trate em rigor de um semi-sacrifício, foi a ficção luso-latina
Resistirei (sábados - 22%), que cedeu o lugar a capítulos mais alargados da novela da Globo, com melhores resultados.
De facto, parece que até na ficção brasileira as apostas de Nuno Santos vão dando frutos. Se não atente-se: no horário de acesso ao
prime-time, ou seja, imediatamente antes do
Jornal da Noite, a SIC debatia-se, como já mencionado, com um share inferior a 20%. Actualmente, a novela
Sete Pecados regista cerca de 26%. Por outro lado,
Duas Caras, esticada até um horário mais tardio, vem registando níveis crescentes de audiência (na ordem dos 35%). Já a mais recente
Desejo Proibido, a concorrer directamente com a líder
Fascínios (TVI - 43%), vai amealhando paulatinamente o seu quinhão, encontrando-se agora nos 30% de share.
Após esta leva interminável de números, a conclusão a que se chega é que, a curto-prazo, Nuno Santos tomou a única medida possível, mexeu nas "peças", acrescentando alguns programas, descartando outros. Dentro da linha de programação que a SIC tem vindo a adoptar há vários anos, parece-me uma atitude sensata e consciente de alguém com uma boa capacidade de leitura da realidade de Carnaxide. Os primeiros resultados são animadores, resta aguardar o que virá.