
A globalização das séries
A proeminência de séries estrangeiras na programação dos canais generalistas é algo que, ainda há alguns anos, não mereceria o destaque por parte de quem observa o dia-a-dia do pequeno ecrã. Seja por maior divulgação de quem transmite, pelos reconhecidos méritos das histórias ou pela cada vez maior visibilidade do universo da compra e venda de formatos, a verdade é que nunca como antes o público tem à sua disposição toda uma panóplia de séries com as mais diversas vertentes. O tempo em que as séries estrangeiras eram relegadas para os horários mais tardias (Seinfeld, p.ex.), suscitando críticas de espectadores e críticos, parece ter os dias contados. Não porque esta prática se tenha extinguido, mas por um maior cuidado, por parte dos generalistas, em programar devidamente este tipo de conteúdos. Por outro lado, a alternativa oferecida por canais por cabo como o AXN (líder no cabo) funcionou como alerta para a procura de que o formato série tem sido alvo. Os canais generalistas operaram, assim, uma alteração nos modelos de programação. Afastando a transmissão de séries dos períodos da madrugada, criaram-se horários mais 'regulares' para a sua difusão. A RTP oferece, nas tardes de fim-de-semana, as séries O.C. - Na Terra dos Ricos e Perdidos (repetição do episódio das noites de Terça), a SIC, fruto de uma maior aposta nestes formatos, apresenta durante toda a semana a partir da meia-noite séries como CSI (Miami, Nova Iorque) e Senhora Presidente; aos fins-de-semana à tarde trasmite CSI Las Vegas e Alias - A Vingadora. Por seu turno, a TVI, à sombra do enorme êxito da ficção por si produzida, dá-se ao luxo de apresentar apenas uma série durante a semana - Dr. House -, excelente por sinal, mas meia-noite dentro. A 2: é outro dos canais com grande oferta. Durante a semana, as noites são preenchidas por séries como Sete Palmos de Terra, Roma, Calma, Larry! (vertente humorística), E.R. - Serviço de Urgência, 24 e Sobrenatural. Na maioria dos casos, o espectador tem perante si séries premiadas ou de créditos firmados com exibição num grande número de países à volta do globo. No fundo, é disto que se trata: do globo. A globalização de um formato televisivo não é nenhuma novidade; a forma como instantaneamente assimilamos os modos e custumes (e a esse propósito, os estereótipos) veiculados por esta ou aquela série também não vem acrescentar nada. A não ser audiência, preferivelmente. O que de interessante terá esta realidade será, talvez, o facto do maior interesse nestes formatos ser consequência da assimilação vertiginosa possibilitada pelos diversos agentes globalizantes.
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