
O prelúdio da TV regional-local
Alentejo TV, Invicta TV, Famalicão TV, Aveiro TV. Nos pacotes da televisão por cabo ou na Internet, estes são alguns dos canais que, em Portugal, operam ao nível local e regional. Todos de muito recente formação, apresentam como principal objectivo o mostrar da realidade dos seus locais de origem: o desporto, a cultura, os acontecimentos, no fundo, o quotidiano de, na maioria dos casos, regiões com pouco ou nenhum poder decisório, não englobadas nos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto, entenda-se). Para tal, apelam à participação dos cidadãos, empresas e associações locais na produção de conteúdos para posterior transmissão. Pretende-se, desta forma, dar visibilidade a um Portugal que, não sendo propriamente atrasado (nos termos em que, regra geral, se aplica a palavra), sofre com o desinteresse do poder central e dos variados grupos de interesse, nomeadamente o económico. Assim sendo, nestas regiões, o dito progresso passa somente pela iniciativa local que, muitas vezes, carece de meios significativos para a concretização de projectos. Se os meios permitirem o acesso à televisão por cabo, óptimo; se não, com uma camara de video, uma ligação à Internet e suporte publicitário, coloca-se de pé um canal online. As equipas de trabalho são, em grande parte, formadas por colaboradores, jornalistas e não-jornalistas (cidadãos), que procuram chegar praticamente a todas as esquinas das localidades nas quais as emissões se centram, sejam elas Aveiro, Famalicão ou a região alentejana. Este panorama que se procura traçar é a prova como as novas tecnologias são cada vez mais plurais, como armam e guiam à etapa última exemplos de iniciativa individual na sua mais pura forma. O fenómeno que se está a operar no âmbito da criação de uma televisão local e regional online em Portugal é tão ou mais comparável, numa escala global, ao surgimento dos blogs ou, mais recentemente, dos podcasts. Estes são formatos cuja criação ofereceu a possibilidade ao mais comum dos mortais de escrever o que pensa ou dar a conhecer a música que mais aprecia a, na melhor das hipóteses, uma audiência de dimensões insuspeitas. No caso das televisões online, o âmbito regional e local, não impede o contacto com uma audiência muito superior à escala para que foram criadas. A Internet é isto mesmo, um constante quebrar de barreiras rumo a uma dimensão global. Em cada um destes canais, o cariz regional dos programas não se projecta no seu âmbito, por mais que se afirme que é uma televisão feita para a terra ou a região. A opção pela Internet abriu as portas de Aveiro ou Famalicão a uma potencial comunidade de milhões e milhões de utilizadores do universo online o que, em larga medida, ultrapassa as primeiras intenções de quem criou estes canais. Com ou sem essa intenção, a verdade é que nunca como antes se pôde dar a conhecer uma região ou mesmo uma cidade pela força da imagem em movimento. Todavia, conscientes de que é só um começo, há que perceber que muito ainda pode ser feito nesta latitude em prol do estabelecimento de uma televisão regional-local em Portugal. Para já, interessa promover a sedimentação destas primeiras experiências. E esperar...
Sem comentários:
Enviar um comentário