PopularescoO termo "popularesco" não tem, ou melhor, não deve sempre ter uma conotação negativa. Pelo menos à partida. Inserido na grelha de uma estação com uma lógica virada para as classes mais populares, As Tardes da Júlia (TVI) é um formato que desde a cor dos décors até ao estilo da apresentadora cumpre a sua missão de cativar um determinado tipo público, público esse que, pelos vistos, é bastante numeroso não fosse o canal de Queluz líder de audiências há vários anos.
O tema da edição de hoje era o Regicídio, acontecimento do qual se comemora um século. Além de um historiador, os convidados eram João Soares, republicano, e o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles, monárquico convicto. Enquanto discorriam sobre a conjuntura do país de então ou as diferenças entre regimes monárquicos e republicanos, levantando algumas hipóteses académicas, (tudo com as doses certas de seriedade e bom humor), esperava-se a "colherada" de Júlia Pinheiro. A dita chegou aquando do relato do momento do assassinato dos monarcas. Não esperou e imediatamente começou a imitar o gesto de D. Amélia que, munida com um ramo de flores, atacava um dos regicidas, gritando "Infames, infames!". O público riu. Momentos depois, foi a vez de comentar uma imagem da família real, dizendo que o rei ainda não estava "gordinho" na ocasião. A assistência voltou a rir. Quem não conhecesse a linha estilística do programa até poderia achar ridículo e desfazado do contexto propiciado pelos convidados. Para quem está familiarizado com a apresentadora e o programa, nada mais natural e... apropriado.
Sem comentários:
Enviar um comentário