Entrevistadores e entrevistadosQue o primeiro-ministro é um entrevistado difícil não parecem restar dúvidas. Não porque não responda às questões que lhe são colocadas mas pelo carácter incisivo que confere às suas intervenções, não permitindo a formulação de novas perguntas pelos entrevistadores, sem que primeiramente tenha concluído o seu raciocínio. Salvaguardadas as devidas diferenças, é como se tratasse de uma torrente de lava que queima tudo o que se interpõe no seu caminho. Não se julgue que se trata de uma critica a José Sócrates, antes pelo contrário. É bastante mais desafiador para um jornalista ter um entrevistado que o obrigue a "puxar dos galões" do que um, digamos assim, mais convencional. Contudo, para enfrentar interlocutores deste tipo é necessário estar pelo menos ao mesmo nível, percebendo qual a estratégia do entrevistado na ocasião e desmontando-a, posteriormente, com o evoluir da conversa.
Eis que a SIC falha neste grande pormenor. No espaço Sócrates: Três Anos de Governo, exibido ontem após o Jornal da Noite, Ricardo Costa, do canal de Carnaxide, e Nicolau Santos, director adjunto do Expresso ignoraram isto e acabaram a interromper constantemente o primeiro-ministro, dando ao espectador uma impressão desagradável, mesmo agressiva (sobretudo Ricardo Costa). Sócrates, com a lição bem estudada, não teve de se esforçar muito para dizer o que quis, no ritmo que bem entendeu. Com isto, o tempo foi passando e certos temas tiveram que ser tratados à pressa. O mérito de uns é o demérito de outros, neste caso, de Ricardo Costa e Nicolau Santos, que demonstraram estar muitos furos abaixo daquilo que se exigia para uma entrevista deste grau. Bem diferente do sucedido com José Alberto Carvalho e Judite de Sousa aquando da primeira grande entrevista de Sócrates enquanto chefe de governo (RTP).
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