sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

tvRAMA - 9

Sem contacto

Lançado há cerca de dois anos, o programa Contacto (SIC) constituiu-se como uma das "medidas" da administração Penim. Apresentado por duas figuras da casa, Rita Ferro Rodrigues e Nuno Graciano, o formato surgiu com a missão de conquistar um horário até então liderado pelo Portugal No Coração (RTP), já em momento de desgaste. Elaborado com as mesmas matérias-primas do concorrente e adicionados alguns condimentos à la Fátima, o programa logrou impor-se nas audiências, alcançando a preferência do público. Isto foi há dois anos. Entretanto, a TVI, não querendo perder o barco do entretenimento vespertino, voltou a convocar a incontornável Júlia Pinheiro e estreou, nos primeiros meses de 2007, o As Tardes da Júlia, em concorrência directa com os demais. Também neste meio termo, o Portugal no Coração passou por um processo de renovação, contando inclusive com uma nova dupla de apresentadores (João Baião e Tânia Ribas de Oliveira).
Chegados ao presente dia, verificamos que o Contacto não só foi relegado para a terceira posição como parece ter dificuldade em reter os espectadores que a SIC vai fidelizando com a reexibição da ficção brasileira Terra Nostra. Se porventura não tão evidente à partida, a verdade é que o formato deixa a desejar. Apostando num estilo híbrido a meio caminho entre a linha adoptada pelos concorrentes RTP e TVI, o Contacto cai num certo artificialismo, num produto difícil de classificar quando comparado a estes. Se, por um lado, tem havido bons momentos com convidados de valia (recordo-me de Artur Agostinho), por outro não se percebeu, a certa altura, a insistência na apresentação dos chamados "casos da vida", com direito a muito choro e expressões de sofrimento. Isto para não falar da inenarrável rubrica "Calor da Tarde", trocadilho de mau gosto com um "célebre" bar. Pseudo figuras públicas, quais comentadores credenciados, discorrem durante cerca de uma hora, sobre as maiores banalidades de um Jet-7 português já de si banal e de pedigree duvidoso. Tudo isto abordado com a maior das seriedades, como se de um assunto de importância nacional se tratasse. Talvez este seja o maior pecado do programa, conceder uma importante fatia do programa a este tipo de rubrica, passando logo em seguida para uma conversa com figuras como Artur Agostinho, Simone de Oliveira ou Eduardo Sá. É passar do "8 para o 80" e isso torna-se difícil de digerir.

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