sexta-feira, 7 de março de 2008

tvRAMA - 16

Notícias indiscriminadas

A recente vaga de crimes violentos em Portugal tem, como seria de esperar, feito eco na generalidade da imprensa, leia-se, escrita, falada e ouvida. Aumento efectivo da insegurança ou simples exagero, a verdade é que, por estes dias, cada acto do género é, quase indiscriminadamente, notícia.
Que o digam os espectadores que, como eu, acompanharam a edição de hoje do Jornal da Tarde (RTP). De uma só assentada foram duas as notícias envolvendo mortes e assassinatos, dispostas de tal forma que um cidadão mais incauto poderia julgar que o melhor seria começar a pensar duas vezes antes de sair de casa. Um dos casos envolvia um ajuste de contas com um empresário numa pequena aldeia, o outro, do mesmo género, tinha como "protagonistas" dois paquistaneses e envolvia ainda um comerciante chinês na zona das Laranjeiras.
As histórias e os locais não são o que mais interessa aqui, muito menos pretende-se desvalorizar os casos em questão. O que importa é informar com objectividade assuntos merecedores de tal e, francamente, evitar dar a sensação que se está a ser levado ao sabor de uma qualquer corrente, simultaneamente correndo o risco de ignorar o valor-notícia. Confesso que, no canal de serviço público, pareceu-me inusitado. É inegável que a temática está na ordem do dia. Contudo, basta abrir os jornais diários. Nas páginas destes, é tema todos os dias.

sábado, 1 de março de 2008

tvRAMA - 15

Corredor da mesmice

Na noite de quinta-feira, não assisti à estreia do novo programa de debate político da RTP, intitulado Corredor do Poder. Agora que tomei conhecimento das reacções ao formato, apetece-me dizer que já sabia da inutilidade da minha presença em frente ao ecrã do "primeiro canal" para acompanhar 50 minutos de um "enredo" já muito visto, logo, cansativo e desinteressante.
A minha falta de curiosidade iniciou-se assim que foram para o ar as primeiras promos do programa com a moderadora Sandra Santos num estilo algo agreste e duro, neste caso, para o espectador. Não me atraiu. Logo de seguida, descobri que os comentadores (Marcos Perestrello - PS, Marco António Costa - PSD, Ana Drago - BE, Nuno Melo - CDS e Margarida Botelho - PCP) estariam a título pessoal e não em representação partidária. Não acreditei na capacidade de, repentinamente, tirar cinco "coelhos" da cartola com disponibilidade ou interesse para se demarcarem dos respectivos partidos, muito menos produzir um discurso apelativo sem vacuidade. Finalmente, ao ver os cenários da RTP fiquei com uma sensação de exiguidade e desconforto, a começar pela predominância dos tons branco e magenta, opção pouco "aconchegante". Também a tentativa de reproduzir um corredor, pareceu-me estranha para um programa de debate, formato que exige, pelo menos, a criação daquela sensação de "mesa redonda" entre os intervenientes.
Pelos vistos, tive razão. Não só houve quem partilhasse as minhas considerações, como os espectadores se encarregaram de demonstrar o seu desagrado através de índices de audiência bastante fracos (3,1% de audiência e 9,7% de share - 293 200 espectadores). Alguém dizia numa campanha que já não há políticos como antes. E com razão.